As crônicas de gelo e fogo - A guerra dos tronos ( George R.R. Martin)
A guerra dos tronos, eis uma coleção de livros que comprei por impulso e acabei largando por um tempo, até que resolvi começar e se tornou impossível parar. A cada página mais encantada com os personagens, a escrita, mais admirada com a honra de Ned Stark, mais irritada também com essa honra, mais em estado de ódio com os Lannister, eu nunca quis tanto a cabeça de personagens.
A torcida é grande para que os Stark não morram todos e voltem a ser uma família feliz em Winterfell. Entretanto, eu assisti à série até a quarta temporada, já sei bastante do que vai acontecer. A série não me prendeu tanto, achei confuso conhecer e entender todos os personagens e suas casas, mas o livro eu tenho acompanhado melhor.
Os Starks são meus favoritos, mas também gosto muito de Daenerys, pena que até aqui, ela está muito afastada dos outros. Os Starks parecem uma família feliz e pacífica, o símbolo deles é um lobo, e eles encontram uma loba gigante morta, mas cujos filhos recém-nascidos estão vivos e vão um para cada filho de Ned e Catelyn, Robb, Sansa, Arya, Bran e Rickon, após o resgate destes lobos, surge um lobo albino que é adotado pelo filho bastardo de Ned, Jon Snow.
Tudo muda com a visita do rei Robert que convoca o amigo Ned para ser sua mão. Mesmo contrariado, ele aceita, pois a cunhada Lysa Arryn avisa por uma carta secreta que seu marido, o falecido Mão foi assassinado pelos Lannister e os Starks temem o que os Lannister podem fazer no poder, já que Cersei Lannister é a rainha e Jaime, seu irmão gêmeo poderia ser a Mão na recusa de Ned.
Assim Ned parte com o rei e a rainha levando as duas filhas para uma jornada sem volta. Robb assume como senhor do Norte. Jon vê um lugar para ele na Patrulha da Noite. Enquanto isso, no outro lado do mar, Daenerys, uma menina de treze anos, é vista obrigada a se casar com Drogo dos Dothraki, um homem que comanda um exercito de  homens sobre cavalos, quase selvagens. Ela é da casa Targaryen, do sangue do dragão, descendente de Rhaegar, herdeiro do trono de ferro, sua família foi assassinada por Jaime e Robert. Dany ainda é uma ameaça para Robert e Cersei, assim como qualquer outro que se interesse e tenha poder para lutar pelo trono de ferro.

Por fim, um comentário sobre essa edição econômica da Leya. Se você tem problema de vista ou só pra ler letras pequenas, não compre! Tive que ler a maior parte do livro no KIindle porque essa edição tem letras muito pequenas, o preço foi muito atrativo, mas valeria mais a pena ter comprado uma edição com letras maiores. Alguma biblioteca pública vai sair ganhando com isso.


Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

Questões



1. Você conhece o significado da palavra eternidade?




2. Na sua opinião, qual a relação entre a palavra eternidade e o chiclete?


3. Por que a menina deixa cair o chiclete no chão?


4. De acordo com o texto, qual ou quais sentimentos a personagem demonstrou em relação à irmã?




5. Por que o narrador supõe a existência de um ritual para o simples ato de mascar chiclete? 




6. Há marcas de espaço no texto? Quais?



7. No texto, o narrador descreve o chiclete primeiramente como "pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer". Qual é a expressão que descreve o chiclete e está em oposição a essa primeira impressão do narrador? 


( "Aquele puxa-puxa cinzento que não tinha gosto de nada")


Eu queria falar um pouco sobre algumas conversas que tive com profissionais mais experientes nesse meu duro ano de dupla jornada. Eu aprecio muito a opinião desses profissionais, que estão em sala de aula testando e experimentado, não os que estão ‘fora de sala’. Para esses últimos tudo poderia ser um mar de rosas e disciplina se os professores se esforçassem mais, se dominassem os alunos, se mantivessem os estudantes como robôs dentro da sala sempre de caderno aberto, boca fechada e esperando o próximo comando.
Seria muito fácil pra nós, se assim fosse, mas alunos são seres humanos também, eles precisam sair pra alguma necessidade, que nem sempre é física, ás vezes precisam mesmo de um momento pra ‘respirar’ e relaxar.  O que me parece é que alguns coordenadores e diretores de tanto não suportar mais estudantes não querem nem vê-los em algum lugar que não seja a sala.
E o professor fica no meio de ambos, tentando entender os dois lados e sendo criticado duplamente. O que é notável é que a escola não será mais aceita por muito tempo seguindo esse modelo tão antigo. Frequentemente alunos reclamam de sentirem-se prisioneiros ou escravos.  Confesso que fico na dúvida se eles estão certos ou são apenas preguiçosos acomodados, sem futuro.
Será que sabemos e podemos fazer uma escola diferente, agradável, onde o aluno se sinta bem? Será que teríamos apoio para isso, já que fugiríamos muito do tradicional?
Em minhas conversas percebi que os professores que trabalham há anos também não suportam mais esse formato de escola, cadeiras em fila, o professor na frente falando, falando, escrevendo, escrevendo, algo que não interessa aos alunos e dificilmente será útil um dia. Isso quando conseguem falar, pois os alunos preferem jogar peteca, xingar os outros, subir nas mesas, argumentar o quanto seria bom se a escola explodisse ou se o professor da próxima aula morresse de repente, ou como deveria ser bom aquele tempo em que só os filhos dos ricos tinham que estudar, bom era estar livre lá fora brincando na rua, ajudando os pais, não presos aprendendo coisas que não servem.
Alguns colegas apostam que seria melhor ignorar o currículo, o conteúdo e levar uma experiência significativa para os alunos, organizar algo dinâmico que eles gostem e que possam sentir-se livres para participar ou não.  Não usar de autoritarismo ou castigar com notas baixas aqueles que não se adaptam. Ou mesmo que esses que não se adaptam não deveriam ser forçados a frequentar o ambiente escolar pelos pais ou qualquer programa social após adquirir o aprendizado básico.
Com a reforma do Ensino Médio alguns colegas estão mesmo com esperança de não ter que enfrentar tantos alunos que odeiam sua matéria, mas são obrigados a estudá-la. Eu, que sempre fui contra essa medida, estou quase me convencendo disso também e lamentando que minha matéria continuará sendo obrigatória e terá talvez uma carga horária maior para o desespero e ódio de alguns.
Com certeza todas as profissões têm um lado muito difícil, mas a nossa está obviamente em uma crise muito maior, muitos profissionais estão doentes e pulando do barco na primeira oportunidade antes de perder a sanidade mental em busca de uma solução para continuar fazendo o que amam sem serem odiados por alunos ou pelos outros profissionais. 


Eu queria muito voltar a fazer aquelas listas lindinhas com vários livros lidos no mês, mas a verdade é que essa vida de professora é tão exaustiva que, logo nós, não temos tempo pra ler. Não mesmo. Nem livros da nossa área. É ler ou sobreviver. Mas também não quero fazer um post sobre coisas negativas, não.
Apesar de todos os pesares, consegui ler metade do primeiro livro de A guerra dos tronos e estou gostando muito mais do livro do que da série, que parei na quarta temporada.



Claro que pretendo terminar de ler logo e fazer um post ou um pequeno vídeo. Espero ler todos os livros e só depois voltar a ver a série.


O conto da aia é uma distopia que mostra um mundo horrível para as mulheres. Nossa protagonista tem sua vida roubada literalmente. Sua conta bloqueada, impedida de trabalhar, como outras mulheres. As mulheres devem viver realizando funções que realizariam talvez na Idade Média, idade das trevas.
Os agentes do poder dão um jeito de obter mulheres férteis anulando segundos casamentos ou qualquer relacionamento que eles consideram inapropriado, assim tendo essas mulheres como prisioneiras treinadas para gerarem. Após uma época de contraceptivos e outras substancias poucas mulheres conseguem gerar filhos saudáveis.
Há uma dificuldade em se gerar bebês saudáveis e muitas servem como barriga de aluguel, apenas um útero com pernas, moram na casa dos Comandantes, obedecem às esposas deles e têm dias marcados para copular e gerar o filho que será do casal.
O romance de Margaret Atwood é narrado em forma de diário por uma protagonista, que nunca revela seu nome. Ela vivia com o marido e a filha, então seu casamento é considerado ilegal, logo após ser proibida de trabalhar, ela não sabe aonde e como estão seu marido e sua filha. É considerada uma possível boa Aia, pois já foi mãe de um bebê saudável. Primeiro ela é preparada para a função, junto com outras mulheres, em uma instituição governada por mulheres chamadas As tias.
Depois ela vai para a casa do Comandante, onde é recebida pela esposa e deve manter relações com o comandante, apenas após uma cerimônia e em condições previamente estabelecidas, o prazer não é permitido ou estimulado, tudo o que importa é a fecundação.
Sua rotina é minimamente acompanhada e vigilada, só podendo sair para realizar suas funções acompanhada de outra Aiá, previamente escolhida e sob forte vigilância dos Olhos.
Tudo é narrado por ela, até que ao final, há uma parte bem interessante onde seu diário é analisado por estudiosos do futuro que tentam entender o que se passava nessa Era.
É um livro realmente interessante, que está em bastante destaque nesses dias, apesar de ter sido escrito em 1985. É dá para entender o interesse em torno dele, embora algumas partes sejam difíceis e lentas, o leitor pode ficar impaciente de entender o que está acontecendo, as explicações demoram a chegar, mas vale a pena ter calma e esperar para ver.