"Eu não sou devagar. Eu apenas caminho com mais paciência.
Eu olho os detalhes, eu me distraio com o singelo, eu troco o material pela fantasia dos sonhos, eu ouço cada pedacinho de vida, eu saboreio estrela por estrela, eu acaricio o vento quando ando de carro, eu observo os gestos e os olhares, eu desenho o que tem dentro. Eu não sou devagar. É que a vida é pura sinestesia. Não sentir isso, é puro desperdício."


- Juliana Pina



O Grande Meaulnes, entre todos os alunos do sr. Seurel, é quem tem mais audácia para fugir em busca de aventuras inspirando admiração e inveja nos outros.
O bosque das ilusões perdidas é narrado por François, mas com foco em Meaulnes. Em sua fuga, ele perde cavalo e carroça, mas se encontra em uma propriedade dos sonhos, um lugar onde há festa, danças, jantares, artistas, jogos e uma moça a qual ele nunca consegue esquecer.
De volta à rotina, tudo em que ele pensa é em encontrar o caminho de volta para a mansão e rever os momentos mágicos e a bela moça.
Esse desejo contagia o amigo François, e como uma das muitas coincidências da história, um jovem saltimbanco que se encontra na cidade. Acontece que a festa que Meaulnes presenciara deveria ser o noivado desse saltimbanco, que na verdade, era Frantz, um jovem muito rico cuja vida mudou totalmente ao ser abandonada pela noiva. E a moça por quem Meaulnes se apaixonou perdidamente, ninguém menos que Yvonne, irmã de Frantz. 
Frantz seria a chave para Meaulnes reencontrar sua amada, mas vai embora sem deixar vestígios, deixando os amigos mais uma vez sem saber como chegar ao bosque onde se encontra a mansão.
Tudo para esses meninos é sonho e promessas de felicidades futuras conseguidas após muitas lutas. Ousadia de sair pelo mundo em busca de um amor, de um amigo, de uma promessa.

"Todavia continuou caminhando com o mesmo passo fatigado, lábios gretados pelo vento gelado que, por vezes, o sufocava; e no entanto um contentamento extraordinário o alvoroçava, uma perfeita e quase embriagante tranqüilidade, a certeza de que seu objetivo tinha sido alcançado e de que no futuro tudo lhe seria felicidade. "

Na adolescência, há todos os sonhos por um fio de serem concretizados, ao início da vida adulta todas as possibilidades de perseguir esses sonhos, todas as coincidências a favor, mas acima de tudo o sentimento de que a felicidade completa nunca será possível. 
O bosque das ilusões perdidas foi uma surpresa ótima para mim, não conhecia Alain Fournier, e que triste saber que o mesmo nunca concluiu seu segundo romance por ter morrido na Primeira Grande Guerra. É um livro delicioso, cativante, que faz bater uma saudade dessa época em que tudo é possível, a adolescência, junto com uma melancolia dos desassossegos do início da vida adulta, da constatação de que a maioria de nossas ilusões está sim perdida.


Livro Todo dia
Todo dia, de David Levithan, é um romance um pouco diferente dos que normalmente lemos. Ele tem um personagem sem corpo. Essa é a história de A., um garoto que atualmente tem dezesseis anos e sempre viveu trocando de corpo, todo dia um corpo diferente, uma vida diferente.
Todas as manhãs, ele acorda em um corpo novo, em uma família nova, tendo que se adaptar à rotina da pessoa dona do corpo no qual ele está hospedado, tentando se envolver o mínimo possível e não fazer alterações na rotina da pessoa.
A. não sabe exatamente como funciona, ou se existem outros como ele, mas sabe que às 00h ele deve estar dormindo porque é a hora de deixar o corpo. Ele consegue acessar à mente do corpo hospedeiro e descobrir o básico para passar o dia sem que amigos e parentes percebam que há algo muito errado.
Uma coisa muito interessante desse livro é a empatia que A. acaba tendo com diferentes grupos de pessoas, ele tem que ser homem, mulher, pobre, rico, magro, gordo.
Um dia ele acorda no corpo de um garoto chamado Justin e acaba se apaixonando pela namorada dele, Rhiannon. Uma menina linda, com ótimas qualidades, mas que não tem autoestima e aceita ser tratada mal por Justin. A. acaba se envolvendo a fazendo com que o Justin a trate bem e tenham momentos inesquecíveis. Após esse dia, mesmo em outros corpos, ele não esquece Rhiannon e teme o mal que pode ter causado a envolvendo ainda mais com Justin. Assim, ele tenta encontrar uma forma de se comunicar com ela e tentar viver esse amor, cada dia em um corpo diferente.
Há algum tempo um livro não me prendia assim, e mesmo com dias corridos e estressantes, eu não larguei o livro até terminar em tempo record. É um livro bom pra pensar e passar o tempo, uma leitura agradável e reflexiva, com um final, que, se não foi o que mais me deixaria feliz, acho que foi o que tinha que ser. 


Sim, essa lista contém apenas um livro. Março teve 321 dias, mas não foi o suficiente para manter alguma leitura.
Será que o professor que trabalha em dois turnos tem algum tempo para uma literatura de entretenimento ou atualização? Dificilmente.

Esse mês li:
Ansiedade: Como enfrentar o mal do século - Augusto Cury.

Achei o livro muito bom. Augusto Cury fala, entre outras coisas, sobre como estamos adoecendo os nossos jovens, fazendo com que, desde cedo, estes tenham preocupações com o futuro e vivam temendo problemas que ainda não chegaram.
Nós vivemos com a mente no futuro enfrentando dificuldades que provavelmente nunca se concretizarão. Enquanto isso deixamos de desfrutar o presente.
Em alguns momentos a leitura se torna repetitiva, e confesso que pulei alguns parágrafos, mas no geral valeu a pena para saber mais como reconhecer essa doença e enfrentá-la.